O Amor acabou,

mas obrigado por ter começado.

Fui feliz porque te amei

honrado por ter estado ao seu lado,

mas ainda que tua boca diga que me ama

o silêncio dos teus olhos aflige meu coração.

 

Houve um tempo que sorríamos muito

em que nossas mãos caminhavam unidas

como uma oração ao Deus da felicidade

e hoje, ainda que haja lágrimas

essa lembrança alivia a dor na despedida.

 

Peço perdão

se por acaso não cumpri a promessa da

eternidade

porém fui eterno todas as vezes que,

entre um sussurro e outro,

ajoelhei diante do milagre dos teus beijos.

E crucificado

na cruz dos dias que não davam certo

me sentia um deus

todas as noites

que ressuscitava em seus braços

o amor nosso de cada dia.

 

Não sei se posso ser seu amigo

depois ter sido seu amante,

mas depois de ter sido teu amante,

que graça tem ser seu amigo?

 

Não quero de volta as estrelas

que te dei

em troca de

todas as vezes que você me levou ao céu.

O amor é um presente

que poucos podem ter, ou dar.

Amar é um ato de coragem

já desamar requer humildade.

 

Quando se dá o último abraço

é porque já faltava braços há muito tempo.

 

Não quero entender o amor

de minha parte, só queria dizer obrigado.

 

Sérgio Vaz – do livro, Flores de Alvenaria, Global Editora

 

Sérgio Vaz, além de poeta, é agitador cultural nas periferias do Brasil, criador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) e do Sarau da Cooperifa – movimento que transformou um bar da periferia da zona sul de São Paulo em um centro cultural. É ainda autor do Projeto Poesia Contra a Violência que percorre escolas da periferia, incentivando a leitura e a criação poética como instrumento de arte e cidadania, e de livros, como Colecionador de Pedras; Literatura, pão e poesia; Flores de Alvenaria; Subindo a ladeira mora a noite; A margem do vento; Pensamentos vadios; e A poesia dos deuses inferiores.