És um rio como outro qualquer,
mas és mais forte que qualquer outro.
Tua água é barrenta, suja e poluída,
mas és mais belo que qualquer outro.

Tens em ti o dom da vida,
embora hoje, quase toda destruída,
brigas sem medo para defendê-la
e em meio às tuas curvas,
sempre consegues mantê-la.

Ainda que haja odor fétido em tuas águas,
esse cheiro ruim só te enobrece,
pois mostra a grande força de vontade,
que mesmo sofrendo exerces,
para manter a vida em qualidade.

Querem te matar Paraíba do Sul,
mas tu conheces bem os teus inimigos
e sabes como torná-los incrédulos.
Eles estão até ficando pasmados,
pois não conseguem acabar contigo.

Mas eles continuam tentando,
ácido, álcool, éter, óleo e fenol,
tudo cai nas tuas águas,
fizeram de ti um grande urinol.

Se não bastasse as indústrias,
as prefeituras também não gostam de ti,
pois a maioria delas não se preocupa contigo
e todas as cidades da região
em tuas águas derramam “ xixi”.

Não bastasse o “xixi” das cidades
e toda a química das indústrias,
jogam ainda em tuas margens
toda a sujeira possível e imaginária.
Com isso, atinges carga orgânica absurda,
com toda sorte de parafernálias.

Existe fezes em tuas águas,
não fosse a grande quantidade,
talvez, até isso te fizesse bem,
mas como todo exagero é danoso,
essas fezes te prejudicam também.

Ainda tem mais Paraíba do Sul,
quase ia me esquecendo.
O que sobra da lavoura também fica sendo teu
e até parece que a chuva é tua inimiga,
pois te leva todo o agrotóxico,
que o solo, já saturado, não absorveu.

 Tiram a areia do teu leito
e destroem tua margem natural.
Isso causa uma grande dor no meu peito,
pois, apesar de ser “bicho-homem”,
eu sei que isso te faz muito mal.

Paraíba, velho amigo, o “rio ruim”,
o índio que te deu esse nome,
previu muito bem o teu futuro.
Certamente, o crime contra ti terá fim,
mas ainda passarás por grandes apuros.

O “rio ruim” daquele índio,
hoje encontra-se muito pior.
Mas, aquele índio, o bravo tupiniquim,
já sabia desde os tempos remotos,
que quem ri por último, ri melhor.

Paraíba, você que é calmo e sereno,
sabe que o tempo é o melhor remédio.
Conheces muito bem teus aquele que te maltrata.
Sabes como é o “bicho-homem”,
desde os tempos da colônia e do império.

Paraíba, rio da vida e da morte,
não tens que brigar com o “bicho-homem”.
Sabes bem, que isso não é preciso,
pois, apesar de tudo o que acontece,
ainda continuas belo e forte
e um dia …….
certamente, o homem tomará juízo.

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Luiz Eduardo Corrêa Lima é natural do Rio de Janeiro (RJ). É autor de mais de 1000 textos publicados por meios gráficos e eletrônicos, entre artigos científicos, artigos de divulgação científica, artigos de opinião, críticas, ensaios, poesias, crônicas e contos. Atualmente, ocupa a Cadeira Número 25 da Academia Caçapavense de Letras, na qual também é Vice-Presidente. É ainda Sócio Correspondente da Academia Lorenense de Letras.

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